"Uma fronteira de carne e osso"



.....Assim foi definida a vida do Seu Zeca, na Ilha Brasileira. Ele representou a síntese dos hábitos culturais e dos costumes sociais neste encontro de trê pátrias...

.....Balseiro e construtor naval, seu Zeca foi, durante muito tempo, o único habitante da Ilha Brasileira. Plantava feijão, batata doce, mandioca e verduras. Fez um pomar que exibia com orgulho aos visitantes.

.....Mas, o mais importante foi o cultivo do amor pela ilha, pelas árvores nativas, pelos animais e pelas aves.

.....Protetor e defensor do Meio Ambiente, impediu brasileiros, uruguaios e argentinos de cortarem as árvores nativas da ilha. Graças a ele, florescem hoje, pelos 12 km² da ilha, uma diversidade impressionante, conforme catálogo feito pela ONG em 2008.





“Seu Zeca foi a maior inspiração da ONG Atelier Saladero. A paixão pela Natureza, a síntese cultural da personalidade fronteiriça aliada ao conhecimento histporico regional formam as características principais de nossa identidade. A ONG uniu Cultura e Meio Ambiente, em seus Estatutos, por causa do Seu Zeca” (Argemiro Rocha)




Uruguai ignora demarcação e contesta posse


.....Localizada entre os rios Miriñai, Uruguai e Quaraí, a Ilha Brasileira é um pedaço de terra de 7 km de comprimento por 2 km de largura. Para marcar o extremo oeste da Tríple Fronteira -- Brasil, Uruguai e Argentina -- há um marco de 1862.
.....Em 1851, um tratado de limites entre os três países deixou claro que a Ilha Brasileira pertence ao Brasil. No entanto, em 1940, o Uruguai questionou a posse da ilha dizendo em notsa que os interesses do país não foram respeitados na época.

.....As principais objeções levantadas pelo Uruguai são de que a ilha não está localizada na foz do Rio Quaraí mas sim ao sul dessa foz, já no Rio Uruguai. Portanto, a ilha ainda não terisa sido demarcada.
.....Outro problema apontado pelso uruguaios é que marco principal, no extremo suil da ilha, foi construído de maneira unilateral pelo Brasil.



 

A ilha nunca deixará de ser brasileira!

 


.....As objeções dos uruguaios jamais foram aceitas, como mostra o estudo feito pelos historiador Wilson Krukoski. Ele comenta que o governo uruguaio, em 1974, baixou um decerto determinando que os mapas oficiais passassem a assinalar como "limite contestado" a Ilha Brasileira.
.....Krukoski não acredita na possibilidade do Brasil vir a ceder a ilha para o Uruguai. Isso implicaria uma modificação do próprio tratado assinado pelos três países em 1851 (Marina Lopes).



O "Caso da Ilha Brasileira"




Um execelente estudo intitulado "O Caso da Ilha Brasileira" de autoria do Coronel Wilson Ruy Mozzato Krukoski encontra-se na página Fronteiras e Limites do Brasil da Segunda Comissão Brasileira Demarcadora de Limites, do Ministério das Relações Exteriores.

 

Fronteiras e Limites do Brasil

 

 

Seu Zeca, aos 78 anos, na Ilha Brasileira, posando para fotógrafos.

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* Parabéns ao nosso grande amigo seu Zeca, grande exemplo de perseverança. Pessoas como ele não deviam partir nunca. Precisamos dele e de tantos outros desconhecidos que vivem da mesma forma em outros lugares do Brasil, incógnitos, mas com a mesma atitude e valor. Fiquei surpreso e emocionado com a noticia de seu falecimento, pois minha vontade era de deixar tudo e ir encontro do seu Zeca para tentar aprender um pouco com ele e ajudar no que pudesse ser útil. Ao menos temos a certeza de que ele cumpriu sua missão da melhor forma possível. Todos os brasileiros deveriam assistir ao documentário sobre sua vida (J.Carlos Ferreira).

 

O Guardião da Ilha Brasileira


Onde o rio se despede do Brasil, ali viveu o Seu Zeca, o último morador brasileiro no extremo oeste gaúcho



 

No rosto marcado pelo tempo, o olhar do Seu Zeca revela uma alma maior do que os rios pelos quais já navegou.

 

 

.....Neto de inglês com avó índia, Seu Zeca nasceu em Venâncio Aires e tomou gosto pela construção de barcos desde pequeno, no estaleiro que o seu pai mantinha nos fundos de casa.

 

.....Foi essa profissão que o levou para perto da Ilha Brasileira quando trabalhou para o ex-presidente João Goulart. "Em São Borja, construi barcos para ele. Mas, quando ele perdeu o cargo, perdi o emprego", contava.

 

.....Depois do golpe militar de 1964, Seu Zeca, a mulher e três filhos foram para a Ilha Brasileira. O que o atraiu foi a movimentação das balsas carregadas de madeiras que cruzavam para a Argentina e Uruguai. Seu Zeca foi balseiro e construtor naval.

 

 

Outras famílias viviam na ilha plantando e pescando. Com a escassez da madeira e a diminuição de peixes nos rios, todas abandonaram a ilha. Menos o Seu Zeca.

 

 

“A vida do Seu Zeca, na Ilha Brasileira, reafirma a geografia do Rio Grande do Sul e mantém viva a história de um pedaço de terra quase esquecido”


(Mauro Maciel).

 

.....Uma pequena casa de madeira -- sem luz elétrica e água encanada --, um pomar, uma horta e uma criação formavam o pequeno paraíso do Guardião da Ilha Brasileira

 


.....Uma bela e agradável avenida de canafístulas, plantadas pelo Seu Zeca, liga o pequeno porto, no rio Uruguai, à casa de pedra e madeira construída por ele.


 

.....Durante 40 anos, Seu Zeca viveu na ilha, pescando, plantando e protejendo a Natureza. "Cuido para que uruguaios, argentinos e brasileiros não venham cortar as árvores nativas", explicava ele.

 

Neto do Seu Zeca, Jairo Daniel foi um companheiro inseparável. Pescador e militante da ONG Atelier Saladero, comenta:

 

“A principal lição que meu avô me passou foi o amor pela Ilha Brasileira. Darei proseguimento ao seu trabalho quando ele se for...”

 

 

ONG realiza catálogo de árvores nativas na ilha

 

.....Na grande ilha, banhada pelos três rios da Tríplice Fronteira (Meriñay, Uruguai e Quaraí), são encontradas diversas espécies de árvores nativas. Em 2005, a ONG Atelier Saladero fez um levantamento e catalogou aproximadamente 100 espécies que praticamente desapareceram do continente, devido o avanço das lavouras extensivas.

 

.....Conheça o projeto "As árvores nativas da Ilha".

.....Além de ser o extremo ponto geográfico do Estado em que o Brasil se separa do território argentino e uruguaiios, a ilha representa a verdadeira tríplcie fronteira dos países.

 

.....Nesse lugar, Seu Zeca semeou e plantou para sobreviver. Mas, também, foi ele quem floriu, embelezou e perfumou a Ilha Brasileira.

 

 



O Adeus

 

.....Na madrugada da quinta-feira, 14 de julho de 2011, um dia e pouco antes da exibição do programa sobre a suavida, seu Zeca se despediu para sempre....

.....Ele estava com 93 anos. Seu Zeca faleceu na cidade de Uruguaiana, Rio Grande do Sul. Já não andava bem de saúde há alguns meses.

.....O documentário "O Guardião da Ilha", exibido no Canal Futura, e o este vídeo inédito, são a nossa homenagem ao admirável e queridíssimo seu Zeca ( Luis Nachbin).

 

 

 

Fontes: Luis Nachbin, Marina Lopes, Mauro Maciel, Folha Barrense, ONG Atelier Saladero

 

  Seis anos após seu falecimento, a lembrança do Seu Zeca continua viva no coração da Tríplice Fronteira

 

"No rosto marcado pelo tempo, o olhar do Seu Zeca revela uma alma maior do que os rios pelos quais já navegou" escreveu uma jornalista.

 

A ONG ATELIER SALADERO faz uma justa homenagem

ao "Guardião da Ilha Brtasileira" .

 

 

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Jose Vilmar Pereira de Medeiros  

Quando assistimos todos os dias as falcatruas, roubalheiras, compra de votos pra livrar os ladrões, ficamos verdadeiramente emocionados com a história do seu Zeca, verdadeiro herói e defensor desta Pátria espoliada pelas mais altas autoridades do nosso País.Sou um admirador dessa pequena cidade e suas histórias, tive a honra de defender esse glorioso pedaço de chão, quando em 1962 servi no Destacamento de Fuzileiros Navais, sob o Comando do Stg FN Soares, sexta feira última, passei por essa cidade em direção a Arapey, oportunidade que lembrei dessa minha passagem por aí.

Setembro de 2017


Alti Paulo Ceratti  

Sensacional a reportagem! Estes são os verdadeiros heróis que pouca gente sabe. Meus parabéns pela bela reportagem!

Agosto de 2017